sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cabelos brancos

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O que acontece com os velhos destes novos tempos?
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Lembro de minha avó, não era risonha, era austera, um ar de quem sabia o que fazia, e fazia certo. Tinha os anos a seu favor, a experiência afiada com a idade. Não dava broncas, a firmeza de suas palavras eram suficientes para posicionar quem lhe ouvia. Palavras humildes que iluminavam, ensinavam, aconselhavam. Não era uma pessoa meiga e doce no sentido das vovós de filmes, era gentil, mas ao mesmo tempo distante - respeito. Não houve escolaridade em sua vida, que não a impediu de ter conhecimento para fazer a sua vida e de outros mais digna e nobre.
Quase nunca vinha até nós, seus afazeres, suas reponsabilidades lhe seguravam. Nós iamos até ela, a casa era sempre cheia de primos, tios e tias que entravam e saiam a todo momento. Havia ordem, havia respeito, que não eram impostos, mas eram obedecidos.
Tenho observado pessoas da chamada "melhor idade" - e o que tenho visto não tem me agradado. A idade não os está melhorando, pelo contrário.
Eu sempre acreditei na autoeducação, todo indivíduo pode melhorar quando quer... Mas pode piorar também.
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Tenho notado, e não sou apenas eu, que esses novos velhos estão rudes, não apresentam a gentileza, a paciência, o respeito e a nobreza que se esperava emanando de quem deveria ter muito a ensinar e a demonstrar... Pena.
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Os novos velhos destes novos tempos não são como os velhos velhos de velhos tempos atrás.
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Eu não quero ficar velho (ok, não muito), porque talvez acabe me tornando um desses novos velhos. Vai que essa coisa pega.
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